Eixos temáticos e ementas

Ao invés de manter os eixos temáticos tradicionais das reuniões científicas da ISAAC-Brasil, com foco nos diagnósticos, nas atuações dos distintos profissionais, nos sistemas em si, bem como os avanços em tecnologia, a Comissão Organizadora resolveu agrupar os participantes deste congresso por territórios. O objetivo é gerar novas aproximações entre a prática e a teoria. Assim, os eixos temáticos do VI Congresso ISAAC-Brasil foram concebidos tendo em vista os territórios onde se constituem as práticas e os estudos sobre a Comunicação Alternativa (CA), abrangendo as temáticas atualizadas que despontam na literatura, quais sejam: casa; escola; clínica; hospital; trabalho; universidade; território de direitos; territórios socioculturais; territórios que se cruzam.

Nestes territórios transitam muitas pessoas. Talvez possamos concordar que os “stakeholders” primordiais – ou principais interessados – da Comunicação Alternativa sejam os próprios usuários dos sistemas e seus familiares, entretanto há muitas outras pessoas engajadas em fazer avançar esta área de conhecimento. Citamos os especialistas das áreas da Saúde, como (Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Psicologia e Enfermagem) e da Educação (Pedagogos, Professores de Educação Especial, Arte-educadores e outros), bem como acadêmicos e pesquisadores interessados na área da CA e profissionais do campo da informática e ciência da computação.


Neste congresso os territórios privilegiados são:

Território: Casa – Trata-se do espaço doméstico onde circulam os familiares, os cuidadores, os amigos e as visitas eventuais. Este é o espaço chave em que a Comunicação Alternativa deve ser assegurada, para que os dispositivos e recursos possam ser entendidos como imprescindíveis em todas as atividades cotidianas. A casa também é o lugar de maior familiaridade; representa a zona de conforto e tem um papel significativo na constituição da identidade/subjetividade de cada um.

Território: Escola – O território escola é amplo, pois contempla todas as modalidades de ensino (desde a educação infantil até o ensino superior), bem como os serviços de Educação Especial (Atendimento Educacional Especializado, outros suportes para a Educação Inclusiva, o ensino em Instituições e Centros de Educação Especial). Neste eixo serão discutidas as práticas educacionais e problematizados os desafios enfrentados por estes alunos usuários de Comunicação Alternativa, colegas e educadores.

Território: Clínica – Tradicionalmente o território Clínica tem sido a incubadora de onde se originaram muitas práticas e modelos de intervenção em Comunicação Alternativa, sendo um espaço privilegiado para trabalhar no desenvolvimento de fala e linguagem com pacientes/clientes. Neste evento, o território clínica é concebido de forma abrangente, de maneira a acolher trabalhos terapêuticos individuais e em grupos, iniciativas multidisciplinares em que diversos profissionais atuam conjuntamente. Também se considera a clínica como espaço de registro, pesquisa e produção de conhecimento.

Território: Hospital – Trata-se de um território emergente no Brasil, que já se consolidou em países desenvolvidos. Existem algumas iniciativas inovadoras no país, mas este é um território ainda a ser desbravado. As especificidades colocam-se quanto aos modos de promover a comunicação por parte de pessoas especialmente vulneráveis pela sua condição de hospitalização, a necessidade de conscientizar profissionais da área médica sobre as vantagens de uso de recursos que desconhecem e para promover um novo tipo de escuta do paciente no leito.

Território: Trabalho – Este território está relacionado ao mundo do trabalho, abrange o lugar de reconhecimento das possibilidades de vida produtiva e realização pessoal. Encampa a preparação para o trabalho; os limites e possibilidades para pessoas com necessidades complexas de comunicação; a problematização da perda de autonomia financeira no caso de pessoas que adquirem deficiências que comprometem significativamente a oralidade na vida adulta; o papel da tecnologia e mídias sociais para promover atividades produtivas de interesse para a comunidade; e ainda a discussão sobre aposentadoria.

Territórios de direitos – O reconhecimento do direito à voz de pessoas com deficiências abre novos espaços como os tribunais de julgamento e outras instâncias jurídicas em que a Comunicação Alternativa será imprescindível para permitir a expressão da opinião e dos depoimentos de pessoas com necessidades complexas de comunicação. Usando sistemas de baixa e alta tecnologia, mediados ou não por profissionais e/ou familiares, as pessoas usuárias de Comunicação Alternativa podem lutar por seus direitos, testemunhar, prestar queixa, dar depoimentos sobre suas necessidades, votar livremente, provocando a instauração de novos paradigmas sobre os direitos civis. Este eixo temático contempla estudos que se situam nos territórios jurídicos e de direitos.

Territórios socioculturais – Crescem as iniciativas em territórios socioculturais pensadas para envolver pessoas com necessidades complexas de comunicação, acompanhadas ou não de limitações de mobilidade. As opções são inúmeras; os territórios socioculturais incluem espaços populares e eruditos de espetáculo e exposição, e também abrangem as mídias sociais virtuais, como os blogs, chats, apoiados por um sem número de novos apps. Neste território se colocam relatos de experiência, discussões sobre escrita e uso de imagens; produção e apreciação cultural por meio da Comunicação Alternativa, entre outros.

Território: Universidade – Este espaço é concebido para reunir apresentações relacionadas à formação em nível de graduação e pós-graduação (lato senso e strictu senso), assim como projetos de extensão na comunidade, em que a universidade contribui com conhecimentos em Comunicação Alternativa para a melhoria da escolarização, por exemplo. Neste eixo serão apresentadas as investigações sobre o lugar da Comunicação Alternativa dentro das matrizes curriculares de cursos de Educação e Saúde, os projetos de inovação em Ciências da Computação e Engenharia Eletrônica, as produções cientificas de Grupos de Pesquisa em Comunicação Alternativa, entre outros.

Territórios que se cruzam – Muitas vezes, os territórios se mostram pouco estanques, as fronteiras menos distintas, as pessoas saem das suas áreas de origem e atravessam para outros terrenos. Este eixo abre um caminho para os encontros entre profissionais em espaços fora da sua zona de conforto, permitindo falar de práticas inter-territoriais. A ideia vale tanto para os profissionais quanto para os usuários da Comunicação Alternativa que demonstram sua capacidade criativa ao adentrar em novos círculos.